A mais nova animação dos estúdios Disney, Moana: Um Mar de Aventuras (Moana) será lançada em abril no mercado de home video brasileiro. A produção chegou aos cinemas em novembro do ano passado e arrecadou em todo o mundo mais de US$ 605 milhões.
No Brasil, Moana: Um Mar de Aventuras chega em edições em DVD, Blu-ray e Blu-ray 3D. Áudio em Dolby Digital 5.1 em português e inglês e legendas os respectivos idiomas. Nenhum conteúdo extra foi divulgado.
O preço sugerido do DVD é de R$ 39,90, Blu-ray por R$ 49,90 e Blu-ray 3D por R$ 89,90.
A previsão de lançamento é para o dia 19 de abril.
A última edição do trailer honesto não perdoa um filme adorável: Moana - Um Mar de Aventuras, a animação da Disney que, segundo a maldosa equipe do Screen Junkies, não tem nada de original e chupa as principais características de outra graça de longa animado, Lilo & Stitch.
Mas não tem graça nenhuma descrever tudo, né?! Confira a paródia legendada de Moana, o sucesso do estúdio do Mickey que emocionou platéias do mundo todo e faturou mais de US$600 milhões nas bilheterias:
A Disney divulgou o videoclipe da versão comercial de "You're Welcome" ("De nada", na tradução), canção presente na trilha sonora da animação Moana - Um Mar de Aventuras.
Enquanto na animação a música foi cantada por Dwayne Johnson, o clipe traz as vozes de Lin-Manuel Miranda e Jordan Fisher, estrelas do musical Hamilton, fenômeno na Broadway, que foi criado por Miranda.
Mesmo com os números impressionantes conquistados por Frozen - Uma Aventura Congelante no Brasil, Moana conseguiu bater mais um recorde e se tornou a animação da Disney mais assistida no Brasil, superando a trama de Anna e Elsa.
Há quatro semanas em cartaz, o filme conseguiu atingir a marca de mais de 4,3 milhões de espectadores e de R$ 61,3 milhões em arrecadação contra 2 milhões de espectadores e R$51,6 milhões em bilheteria de Frozen.
Moana conta a história de uma jovem corajosa filha do chefe de uma tribo na Oceania, que busca explicações sobre o seu passado e tentar salvar o lugar onde vive com sua família. Com a ajuda do semideus Maiu, a garota enfrentará uma aventura em mar aberto.
Quem conferiu Moana - Um Mar de Aventuras já sabe que a trilha sonora da animação é viciante. Principalmente a canção "Saber Quem Sou"/"How Far I'll Go", o emocionante hino da corajosa protagonista.
Pensando nisso, a Disney divulgou um vídeo mostrando a canção em 24 idiomas diferentes, inclusive a versão original de Auli'i Cravalho e a opção nacional, dublada por Any Gabrielly. O resultado é incrível, que mostra várias similaridades entre as vozes de Moana ao redor do mundo.
A canção foi composta por Lin-Manuel Miranda (criador do musical Hamilton) e já é uma forte candidata para o Oscar 2017. Vale lembrar que ela também ganhou uma versão comercial na voz da cantora canadense Alessia Cara. Dirigido por John Musker e Ron Clements, Moana ainda está em exibição nos cinemas.
A nova animação da Disney, Moana: Um Mar de Aventuras, lançada no último dia 5 de janeiro, fez a maior estreia de um longa animado do estúdio no Brasil, segundo informa o Filme B.
De acordo com o portal, o longa levou pelo menos 921 mil pessoas e um total de R$ 14,7 milhões em seu primeiro final de semana, impulsionado pelas excelentes críticas e período das férias escolares. Apesar do feito surpreendente, Moana estreou em segundo lugar, atrás do bem-sucedido Minha Mãe é uma Peça 2, com público de um milhão e R$ 15,7 milhões de renda.
Moana: Um Mar de Aventuras já arrecadou mais de US$ 450 milhões em todo o mundo.
Disney divulgou quatro novos comerciais de “Moana: Um Mar de Aventuras”, para reforçar que a animação já está nos cinemas brasileiros. O lançamento nacional aconteceu no fim de semana e o filme fez R$ 14,93 milhões em seus primeiros quatro dias de exibição.
Com dublagem nacional, as prévias são repletas de cenas inéditas, que não tinham aparecido nos trailers anteriores, e destaca os dois protagonistas em situações de perigo e muito bom-humor.
Nos EUA, Moana e seu companheiro de aventuras, o semideus Maui, são dublados, respectivamente, pela estreante Auli’i Cravalho, de 15 anos de idade, selecionada após diversos testes com jovens havaianas, e pelo astro Dwayne Johnson (da franquia “Velozes & Furiuosos”), que pela primeira vez tem a chance de homenagear sua descendência polinésia no cinema.
O filme tem direção de John Musker e Ron Clements (responsáveis por “A Pequena Sereia”, “Aladdin”, “Hércules” e “A Princesa e o Sapo”). E entre os roteiristas creditados está Taika Waititi, diretor do vindouro “Thor 3: Ragnarok”. Para completar, Lin-Manuel Miranda, responsável pelo fenômeno da Broadway “Hamilton” (vencedor de 11 Tonys), escreveu algumas das canções da trilha sonora.
E se os vídeos abaixo ou o filme no cinema não forem suficientes para esgotar a vontade de mergulhar no universo de “Moana”, é possível se divertir também com os joguinhos da personagem. Curioso? Veja neste link.
Natalia Freitas é pioneira em vários aspectos. Única mulher entre os oito artistas brasileiros que trabalharam na equipe de "Moana", a mais nova animação da Disney, ela superou muitos obstáculos até chegar a um dos estúdios mais cobiçados do mundo.
O primeiro deles foi na vida pessoal, quando ainda bem jovem perdeu os pais e encontrou na arte uma forma de se expressar e se apoiar. A menina nascida em Belo Horizonte cresceu, quebrou estereótipos e conseguiu o trabalho que sonhava em um mercado dominado por homens.
"A última mensagem que aprendi com minha mãe foi: 'tenha uma carreira, tenha sua independência e siga seu sonho'. Por isso tenho muito orgulho de ser mulher, ter uma profissão e conseguir fazer minhas coisas de forma independente", contou Natalia Freitas, em entrevista ao UOL.
É aí que o enredo de "Moana", que acaba de chegar aos cinemas brasileiros, ganha para ela um significado a mais. A nova personagem da Disney não é uma princesa, e sim uma adolescente aventureira que se prepara para virar líder de um povo.
"Para mim tem um sentido muito maior pela questão pessoal", explica. "Moana" é forte e corajosa e não se curva nem mesmo diante do grandalhão e convencido semideus Maui, com quem acaba desenvolvendo uma amizade, que substitui o tradicional romance das histórias de princesas.
Na animação, a brasileira trabalhou no departamento de desenvolvimento de look, criando texturas e colorindo elementos dos cenários paradisíacos que representam as ilhas da Oceania e a cultura da região. "Fiquei muito feliz em representar o nosso país e o gênero feminino".
Moana – Um Mar de Aventuras - Trailer #1 (Dublado)
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Veja o trailer dublado de "Moana: Um Mar de Aventuras"
Animação também é arte
Determinada e estimulada por sua paixão pelo desenho e por produções da Disney, Nickelodeon e Cartoon Network, Natalia entrou para a Escola de Belas Artes da UFMG em 2005, onde se formou em 2009 com bacharelado em animação tradicional.
Depois de formada, ela percebeu que teria mais estabilidade se soubesse trabalhar com 3D. Autodidata, aprendeu a técnica estudando tutoriais e vídeos no YouTube. Em 2011, Natalia conseguiu uma vaga em estúdio onde pode colocar em prática esse tipo de animação pela primeira vez, em um comercial para um cinema de BH.
No final daquele ano, ela resolveu se candidatar pela segunda vez para uma bolsa de estudos na Alemanha com uma carta intitulada "Animação também é arte". "Eu nunca tinha ouvido falar de algum animador ou cineasta que conseguiu essa bolsa de artes, que beneficia mais artistas tradicionais, como pintores, músicos ou escultores. Então na carta eu dei todo um argumento, fiz um portfólio bem caprichado e consegui a bolsa", lembra.
Reprodução/Facebook
Trabalhos desenvolvidos por Natalia Freitas. O curta "The Present" (3º da esquerda para a direita) tem 59 prêmios
imagem: Reprodução/Facebook
Sem falar alemão, mas com passagem paga, uma mesada dada pelo governo e seguro de saúde, a brasileira chegou à Alemanha no início de 2012. "Foi uma bênção, não tem melhor definição, foi muito especial. Eu me senti bem-vinda na Alemanha, afinal, fui para lá com uma bolsa do governo do país. Sem isso eu não teria condições financeiras de me sustentar na Europa."
Mesmo com todos os benefícios da bolsa, dependia dela a aprovação na faculdade. Depois de um intensivo de quatro meses já dominava a língua e pode acompanhar as aulas ministradas na língua nativa na Filmakademie Baden-Württemberg. Natalia também foi a primeira brasileira na conceituada escola alemã.
Por lá ela teve a chance de dirigir seu próprio filme (o terceiro da carreira) e atuar em estúdios depois de formada, quando obteve um visto de trabalho. Ainda na escola, a animadora também trabalhou em um curta que viralizou na internet chamado "The Present", baseado em uma tirinha do brasileiro Fabio Coala. No filme, que ganhou 59 prêmios, ela fez toda a textura (mesmo tipo de trabalho desenvolvido em "Moana"), o making of, além de participar como representante em festivais pelo mundo.
Oportunidade na Disney
Arquivo pessoal
Natalia Freitas na California, onde morou por 11 meses
imagem: Arquivo pessoal
Natalia soube da vaga para trabalhar em "Moana" pela internet, quando já estava há quase quatro anos na Alemanha. Resolveu arriscar e um mês depois recebeu a resposta. A brasileira foi um dos três candidatos selecionados entre cerca de 200 inscritos. No primeiro dia de 2016, foi para a Califórnia e ainda passou por treinamento e adaptação por três meses antes de começar efetivamente a trabalhar com a equipe do filme, dirigido pelos experientes Ron Clements e John Musker ("A Pequena Sereia", "Aladdin", "A Princesa e o Sapo").
Nos bastidores, a mineira teve a oportunidade de trabalhar com outros sete brasileiros, dois deles na mesma área, de desenvolvimento de look. "Não me lembro de ter outro filme da Disney com tantos brasileiros", destaca.
As amizades a ajudaram a superar a saudade do país natal, além de agregarem ainda mais à sua carreira. "É uma honra ter trabalhado com artistas como o Pedro Conti, Victor Hugo Queiroz, e conhecer o Leo Matsuda, que dirigiu 'Trabalho Interno', o curta que abre ‘Moana’. É o primeiro brasileiro a dirigir um curta na Disney! Eu ergo a bandeira mesmo, tenho muito orgulho. Ele é o próximo Carlos Saldanha", aposta.
Minoria
Arquivo pessoal
Pedro Conti, Natalia Freitas, Ivan Oviedo e Victor Hugo Queiroz posam com estátua de Walt Disney
imagem: Arquivo pessoal
Natalia conta que já se acostumou em ser a única mulher do grupo. "Na faculdade no Brasil já tinham bem mais homens. De cada 15 alunos, provavelmente 3 ou no máximo 5 eram mulheres. E também em estúdios onde trabalhei era sempre 15 homens e duas meninas na produção. Na Alemanha mesmo tinha uma salinha que ficava eu e mais 5 caras. Infelizmente, é um mercado que atrai mais homens", lamenta.
Uma das motivações que faz Natalia ter satisfação em compartilhar detalhes de sua carreira é justamente a oportunidade de mudar este cenário.
"Trabalhar em grandes estúdios parece uma coisa muito distante, mas não é. Basta você sonhar, querer e perseguir o que você quer fazer. Eu sempre quis trabalhar fazendo animação para cinema e não desisti. Já trabalhei fazendo campanha política, fiz comercial de TV, de tudo um pouco até chegar lá. Tem todo um processo, nada acontece em um estalar de dedos, mas é possível."
Para quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho da brasileira, basta acessar o site www.natfreitas.com.
A nova animação da Disney não leva o título original, ‘Moana‘, na Itália. Em vez disso, foi batizada como ‘Oceania‘. Até mesmo a personagem principal teve o nome alterado para Vaiana.
Tudo isso é para não fazer nenhuma associação à outra Moana bastante conhecida no país europeu, a atriz pornô Moana Pozzi, cujo auge aconteceu durante a década de 80 e é até hoje lembrada por lá, mesmo tendo morrido precocemente, em 1994, vítima de um câncer aos 33 anos.
Em certo momento da carreira, Moana Pozzi chegou a fazer frente até mesmo a outra estrela do ramo, a lendária Cicciolina, de quem foi contemporânea. As duas chegaram a fundar juntas o Partido do Amor, que defendia, entre outras coisas, a legalização dos bordéis e melhor educação sexual nas escolas. Em 1992, Moana chegou a concorrer à prefeita de Roma, mas recebeu apenas cerca de 1% dos votos.
Considerada uma mulher inteligente e confiante, diferente do estereótipo atribuído ao mundo pornô, ela atraiu a atenção de celebridades internacionais como Robert De Niro, Harvey Keitel e o jogador de futebol Paulo Roberto Falcão (que na época atuava na Roma), com os quais teve romances curtos, narrados em uma autobiografia publicada em 1991.
A ligação com o Brasil vai além do affair com o ex-volante da seleção, já que Moana chegou a morar por alguns anos por aqui durante sua infância.
Inusitadamente, a coincidência com o nome da animação da Disney ajudou a reacender a curiosidade pela trajetória da atriz, que já foi assunto de filmes e minisséries em seu país natal.
Branca de Neve morde uma maçã e cai em um sono do qual só o beijo de um príncipe pode acordá-la. Assim como a Bela Adormecida, a quem a fada, como primeiro dom, havia presenteado com a beleza. No caso da Pequena Sereia, outra das princesas da Disney, quando segue seu próprio critério e vai contra o estabelecido, é castigada e perde a voz. Cinderela cala e limpa, até que um príncipe lhe traz um sapato de cristal de seu tamanho.
Moana não é dessa estirpe. Moana sobe sozinha num barco, salva um recife de corais e enfrenta uma tormenta aprendendo a navegar e encara, de remo na mão, um semideus, meio testosterona, meio vaidade, a quem exige que desfaça a injustiça que está trazendo desgraça para seu povo. Na boca de seus diretores John Musker e Ron Clements (autores de Aladdin e A pequena sereia), ela é “a heroína mais feminista da Disney” ou, como diz Osnat Shurer, a produtora, “uma protagonista com quem ela pode, finalmente, como mulher, se identificar”.
UM FILME COM OLHOS VOLTADOS PARA A LOJA DE PRESENTES
Moana, a princesa feminista da Disney
Moana, que demorou cinco anos para ser rodado, na montagem final inclui uma sequência que faz menção a outra produção Disney, Piratas do Caribe. O barco dos Kakamora, adoráveis piratas-cocos com maquiagem de guerra e aljava cheia de flechas de nácar, se divide em três para abordar a embarcação de Moana. Também tem uma pitada de humor, quase totalmente graças ao nonsense Hei Hei, um frango sem outra função além de apanhar, comer pedras e estar sempre à beira de morrer afogado. Hei Hei e os Kakamora, e de fato todos os personagens, têm versões de pelúcia, brinquedos e até 35 artigos promocionais disponíveis para venda antes mesmo da estreia.
A Disney se afasta das senhoritas desvalidas, dos papéis de gênero que muitos dizem – como Peggy Orenstein, com certa comoção, no The New York Times – ser modelos de conduta perniciosos para as meninas. Queriam fazer um filme com a Polinésia, e suas cores vivas, como pano de fundo, e viajaram por Taiti, Samoa e Fiji. Mergulharam em sua cultura até o menor dos detalhes – e se nota no resultado do filme – e conceberam uma história em torno de Mauí, uma divindade capaz de mudar de forma que, na cosmogonia local, fazia emergir ilhas pescando-as do fundo do mar assim como Prometeu, que roubou o fogo para dar de presente aos humanos. Ao voltar, porém, mudaram de ideia e submeteram tudo à prevalência de Moana: a filha do chefe da ilha de Motu Nui, cujos recursos naturais arrefecem e se esgotam, e que atende o chamado que sente por parte do mar para lembrar seu povo de que foram grandes navegantes.
Mauí, interpretado por Dwayne Johnson – todas as vozes são emprestadas de atores polinésios –, não é nem um simplório nem um abobalhado, mas faz as vezes de comparsa de Moana: dele dependerá a salvação da aldeia, paraíso tropical, em uma viagem que também servirá para que ela se volte para dentro e descubra quem é. “É a história de uma mulher empoderada”, diz Musker. Shurer acrescenta: “Nenhum príncipe encantado pode mostrar a você qual é sua própria voz”.
Mesmo com um argumento linear, vale a pena prestar atenção nos contos recitados pela avó, na dança dos ilhéus e até as texturas de vestidos, amuletos e no mar. A Disney recuperou a fórmula com que melhor sabe contar: uma fábula entre canções. A música fica por conta de Lin-Manuel Miranda, que, com seu musical Hamilton,ganhou os prêmios Tony e até o Pulitzer. Aos ritmos do Pacífico, como não poderia deixar de ser, soma-se essa vivacidade do pop atual com influências latinas. Miranda, que aos nove anos ficou fascinado pelo caranguejo Sebastião, pelo menos poderá se vingar compondo Shiny (Brilhante) para outro crustáceo, Tamatoa, que roubou o anzol mágico.
Não há romance e, apensar de os diretores não declararem o amor morto para o universo Disney, acreditam que os príncipes precisam ser repensados. “Precisamos refletir nosso tempo, tendemos a pensar que os filmes que fazemos são atemporais e que serão vistos da mesma forma no futuro, mas acabam marcados por sua época.” Com base nesse mesmo argumento, Shurer considera factível que, não demora muito, seja possível ver um filme Disney no qual pessoas do mesmo sexo estejam apaixonadas e mantenham uma relação. “Ninguém nos daria uma diretriz contrária ou nos deteria, desde que a história tivesse alma, humor e convidasse a refletir.”
Ser salva por um príncipe ou passada para trás por uma madrasta má são elementos descartados no atual cânone de tramas com princesas da Disney. As mocinhas de vestido longo que cantarolam a plenos pulmões também lutam, se aventuram e são responsáveis pela própria sobrevivência. Merida, de Valente, e Elsa, de Frozen, são alguns bons exemplos recentes. Moana, protagonista da nova animação do estúdio, chega aos cinemas não para reiniciar a discussão das mudanças de padrão, mas sim para colocar o último prego neste caixão. Os tempos mudaram, as princesas também.
A jovem polinésia é ousada, destemida e, apesar da cintura fina, exibe uma silhueta mais robusta que suas antecessoras. Incumbida de substituir o pai no governo de um povoado, Moana reluta contra a função de ficar estagnada em um só lugar, eternamente em uma ilha, enquanto um mundo de oportunidades pode ser explorado mar afora. Desejos de encontrar um grande amor ou brilhar em um baile pomposo nem são citados na produção.
Ela recebe outra missão, maior e mais nobre que a liderança de um povo, vinda de uma entidade, por assim dizer, bastante substancial: o oceano. Moana sai do conforto de sua ilha e navega ao encontro do atrapalhado semideus Maui. Juntos, eles devem restaurar uma ordem quebrada por ele no passado, em prol de toda a natureza.
A jornada revela as demais características principescas que serão mantidas ainda por muitos anos, como musicais elaborados, a presença de animais fofos e os movimentos graciosos da garota de longos e lindos cabelos enrolados. A escolha entre o que pode ou não ser quebrado nos padrões ficou a cargo de uma mistura de gerações na direção. O veterano Ron Clements é conhecido por clássicos como A Pequena Sereia (1989) e A Princesa e o Sapo (2009) — filme, aliás, que marca o início das mudanças das protagonistas femininas da Disney. O cineasta codirigiu Moana ao lado de Don Hall, vencedor do Oscar de animação em 2015, pelo divertido e jovial Operação Big Hero (2014).
O resultado é o típico filme para toda família que a Disney sabe fazer como poucos. Fora do Brasil, Moana já soma mais de 400 milhões de dólares em bilheteria. Sua trilha sonora chegou ao topo da lista da Billboard entre os discos do tipo mais vendidos nos EUA. Como dá para perceber, os príncipes que nos perdoem, mas as princesas não precisam mais deles para fazer sucesso — na verdade, nunca precisaram.
O primeiro fim de semana de 2017 já registra o primeiro grande lançamento do ano: a animação “Moana – Um Mar de Aventuras” chega em mais de mil salas.
Nova princesa da Disney, Moana é a filha do chefe de uma tribo da polinésia, que resolve visitar a ilha mítica onde viviam seus ancestrais e na jornada conta com a ajuda do semideus Maui (voz de Dwayne Johnson na dublagem original). A produção volta a reunir a dupla Ron Clements e John Musker numa aventura marítima, quase três décadas após seu primeiro clássico do estúdio, “A Pequena Sereia” (1989). Grande sucesso internacional, já rendeu mais de US$ 200 milhões nos EUA e tem 95% de aprovação no site Rotten Tomatoes.
Outro destaque de distribuição ampla é “Passageiros”, sci-fi estrelada por dois astros de blockbusters: Chris Pratt (“Guardiões da Galáxia”) e Jennifer Lawrence (“X-Men: Apocalipse”). Na trama, eles são viajantes interplanetários que despertam de uma hibernação 90 anos antes dos demais passageiros e precisam evitar uma catástrofe em sua espaçonave. Orçado em US$ 110 milhões, por enquanto o filme está rendendo US$ 61 milhões em duas semanas de exibição nos EUA. Para complicar, não emplacou entre a crítica, conseguindo apenas 30% de aprovação no Rotten Tomatoes. Por aqui, será exibido em 650 salas, incluindo 3D e 4D.
Os cinemas dos shopping centers ainda recebem o terror “Dominação”, que coloca um diretor de blockbuster (Brad Peyton, de “Terremoto – A Falha de San Andreas”) à frente de um produção com orçamento de trash. Na trama, um exorcista com poderes psíquicos (Aaron Eckhart, de “Sully”) tem suas habilidades confrontadas por um menino possuído (que quando crescer vai virar Batman na série “Gotham”). O que apavora mesmo é que, apesar de ter custado somente US$ 5 milhões, o horror está dando prejuízo (US$ 6,3 milhões arrecadados em todo o mundo!) e amarga só 14% no índice do Rotten Tomatoes. Vai assombrar 196 salas.
Por outro lado, “Sete Minutos Depois da Meia-Noite” está sendo subestimado com uma distribuição limitada a 50 salas. Fantasia com muitos efeitos visuais e uma das maiores bilheterias do ano na Europa, o filme dirigido pelo espanhol J.A. Bayona (“O Impossível”) acompanha a amizade entre um menino, cuja mãe está muito doente, e um monstro dublado por Liam Neeson (“Perseguição Implacável”). A mãe, por sua vez, é Felicity Jones (“Rogue One: Uma História Star Wars”). Coberto de elogios e líder em indicações ao Goya (o Oscar espanhol), a produção tem 89% de aprovação da crítica americana.
Dois longas exibidos em Cannes também se destacam nos cinemas de arte. O vencedor da Palma de Ouro, “Eu, Daniel Blake”, do britânico Ken Loach, leva sua denúncia da burocracia e desumanização da previdência social a 24 salas. Em circuito similar, “O Apartamento”, premiado como Melhor Roteiro e Ator em Cannes, volta a trazer o tema favorito do iraniano Asghar Farhadi: a dissolução de um relacionamento, desta vez após a mulher sofrer um estupro e esconder do marido.
O português “John From” fecha o circuito com exibição em duas salas (o Cine Jóia Copacabana, no Rio, e o Cine Brasília, na capital federal). O roteiro conta a história de uma adolescente entediada que se interessa por um vizinho bem mais velho e tenta atrair sua atenção. O belo uso de cores em sua cinematografia é o maior atrativo da produção, que também passou no circuito de festivais europeus, porém sem conseguir se destacar com premiação.
Nos meses antecedendo o lançamento de Moana: Um Mar de Aventuras nos cinemas brasileiros, o desenho teve a oportunidade de passar pela maioria dos outros mercados internacionais e arrecadar mais de US$400 milhões de bilheteria. Para todos os efeitos, portanto, é mais um sucesso do setor de animação da Disney no século XXI, embora um não tão estrondoso quanto Frozen, que acumulou mais de US$1 bilhão ao redor do mundo em 2013. Nem todos eles precisam ser Frozen (ou Zootopia), no entanto, como o próprio Operação Big Hero provou em 2014 ao amealhar a respeitável soma de US$657 milhões.
Nesses meses que acompanhamos o impacto financeiro do filme, no entanto, acompanhamos também o impacto cultural. Moana: Um Mar de Aventuras chegou aos EUA com a pressão de ser o primeiro projeto de Lin-Manuel Miranda após o sucesso estrondoso de Hamilton, musical da Broadway que foi um dos grandes fenômenos populares em qualquer área do entretenimento em 2016. Talvez por isso, o foco nas músicas escritas por Miranda e, inclusive, cantadas por Dwayne Johnson (que faz a voz do semi-Deus Maui no original), foi maior do que no da própria narrativa da princesa, que costuma estar sob análise minuciosa nesses últimos tempos.
Nessa histeria causada pelo lado musical do filme, foram abafados, talvez para o alívio da própria Disney, as sempre ressuscitadas discussões sobre a validade da franquia das princesas em tempos modernos, e a mensagem que ela passa para as crianças. Mesmo assim, aqui e ali, burburinhos surgiram: descobrimos que a cantora Alicia Keys proíbe suas filhas de assistir os filmes antigos das princesas (especialmente Branca de Neve); e encontramos pelo menos um professor que introduziu um currículo desvendando as problemáticas em torno de A Bela e a Fera, um alvo preferencial com a aproximação da versão com atores protagonizada por Emma Watson.
Por vezes, essa discussão pode parecer boba. Afinal, são só princesas, só uma franquia de desenhos animados, só entretenimento. O Observatório do Cinema sempre rejeitou essa noção de “só entretenimento” em tudo o que analisamos, e é talvez ainda mais importante rejeitá-la no caso das animações da Disney por conta do público preferencial que elas atingem: as crianças (por mais que adultos da minha geração, por exemplo, nunca tenham se desligado da paixão pela animação). Engana-se quem pensa que esse público não absorve a mensagem e o significado do que assiste – de forma direta ou inconsciente, um ideal de diversidade e igualdade pode ser plantado, tanto quanto um de ódio e opressão. E é por isso que, às vésperas de Moana, precisamos falar das princesas da Disney.
Elsa em Frozen
Passos de bebê
“Eu estou com um sentimento muito bom em relação à Moana, mas também mantenho o pé no chão. As pessoas estão com uma expectativa muito alta em relação às produções da Disney, e essa expectativas ainda não está sendo completamente atendida pelo estúdio”, me contou a Vanessa Dias, de 23 anos, fã das animações da Disney. “Chamaram Frozen de revolucionário pelo simples fato de ser um filme com princesas que desconstrói essa ideia de princesa que gira em torno de seu Príncipe Encantado. Tudo isso tem sido muito bom – mas ainda são passinhos de bebê rumo a histórias que o público realmente quer e precisa consumir. Ainda podemos fazer muito mais”.
Esse sentimento de que a Disney caminha com “passos de formiga e sem vontade” em direção a um futuro brilhante de verdade existe desde que o estúdio comprou a Pixar, em 2006, e colocou o diretor de Toy Story e Carros, John Lasseter, no comando de todo o seu departamento de animação. Sob o comando de Lasseter, a Disney saiu de um estado letárgico e congelado no tempo para produções cada vez mais vibrantes, que começaram a conquistar o público por sua pura criatividade. Como grande corporação, no entanto, aDisney procura criar uma aparência de evolução e progresso social sem perder a parte do público que vê isso com maus olhos – e, no final das contas, somos nós que ficamos aqui discutindo o que é o que.
“[Quando era criança], eu não queria adorar histórias de princesas que, para mim, mal tinham voz e personalidade. Gostava das princesas que tinham histórias, preferencias e gostos além do par romântico”, conta a Vanessa. “Acho que também gostava mais dessas histórias por causa do príncipe – que também ganhou um pouco mais de personalidade com o passar dos filmes, desceu do cavalo branco e mostrou defeitos, medos e um pouco mais de humanismo. O Fera é um exemplo muito bom disso. O primeiro grandeaprendizado mesmo foi, com certeza, com Mulan. Foi com ela que eu vi, pela primeira vez mesmo, como uma mulher pode ser independente, forte, protagonista de sua história, heroína de sua família”.
“É muito complicado você apresentar uma história de séculos atrás para uma criança da atualidade, fazer com que ela se espelhe em algo que não faz – e nem deve fazer – mais parte da sua realidade. Eu consigo enxergar beleza e personalidade em quase todas as princesas”, disse ainda minha entrevistada. “Consigo entender o porquê da Cinderela sonhar com uma vida melhor à que sua madrasta lhe proporcionava, e ver no baile do Príncipe sua válvula de escape. Consigo ver a Bela com muita personalidade por querer algo mais do que a pequena vila em que vivia tinha para dar – mas não é o tipo de representatividade que as crianças precisam hoje, e há muito a se problematizar nessas histórias, com certeza”.
Emma Watson como Bela
O próximo estágio
Particularmente, eu não costumo contar Alice no País das Maravilhas (2010) como o começo da franquia de reimaginações com atores de clássicos animados da Disney. Aquele filme é tão único, e fez um sucesso tão estrondoso, que seu papel na concepção de outros projetos do tipo é tão inegável quanto sua desconexão dos mesmos. Robert Stromberg não é nenhum Tim Burton em termos de estilo inconfundível, e é talvez aí que Malévola (2014) seja a concepção verdadeira dessa “nova franquia” que já produziu Cinderela (2015) e Mogli – O Menino Lobo (2016), e vai produzir A Bela e a Fera (2017) eMulan (2018), além de muitos outros projetos a caminho.
Falando de A Bela e a Fera, particularmente, o clássico de 1991 vai ser refeito com Emma Watson no papel da princesa, e as declarações abertamente feministas da atriz sobre o papel, assim como as mudanças que ajudou a equipe a fazer na personagem, já tem causado discussão entre fãs da Disney. Sua Bela não usa espartilho no clássico vestido amarelo, e é uma inventora (no desenho, era seu pai que tinha essa profissão). Em Malévola, a polêmica foi em torno de focar a história na vilã de A Bela Adormecida e subverter a trama para apresenta-la como uma entidade “nem tão má assim”, enquanto Cinderela tentou incutir sua princesa de mais força de vontade ao invés de fazê-la vítima da circunstância (missão na qual Lily James foi mais eficiente que o roteiro, diga-se de passagem).
“Acho extremamente válido que as adaptações mantenham a fidelidade à história original. O trailer da adaptação de A Bela e a Fera chega a dar arrepios por ser exatamente igual ao trailer do desenho original. Nossos corações de fãs gostam desta fidelidade, prezamos por ela. Não há nada pior que vermos uma releitura que acaba com uma obra que adoramos. Mas essa fidelidade não significa mesmo manter a obra completamente intacta”, ressalvou a Vanessa. “Isso só nos faria repetir os mesmos erros e problematizações que já apontamos tanto sobre os desenhos originais das princesas. Talvez falte um equilíbrio entre repaginar algumas informações e manter a história original. Mas, no geral, acho que a onda dos live action tem muito a acrescentar, a repaginar uma história clássica”.
Nesse cenário em que a Disney parece o oásis em meio ao deserto criativo de Hollywood, especialmente no sentido de ser governada por uma cultura criativa que passa pela animação do estúdio, pela Pixar, pela Marvel e pela Lucasfilm, talvez seja ainda mais importante apontar que ainda podemos ser melhores. A política do “dois passos para frente, um para trás” não é o bastante. “Falta representatividade ainda – e isso eu digo de todos os aspectos, seja falando de raça, etnia, orientação sexual, personalidade. É por isso que ansiamos tanto pelas novas produções. A Disney precisa enxergar isso, trazer princesas – além de príncipes e personagens coadjuvantes também! – que enxerguem a mulher como ser independente, forte e capaz de escrever e fazer sua própria história”, completa a Vanessa.
Talvez seja melhor esperarmos sentados (em uma poltrona de cinema) – mas, calados, jamais.
Já está em pré-venda no Brasil a revista em quadrinhos de "Moana", novo filme da Disney.
Há muito, muito tempo, um semideus chamado Maui roubou o coração de Te Fiti, a ilha-mãe, desequilibrando a natureza e espalhando escuridão em toda a Terra. Se, desde então, ninguém deixou a ilha de Motunui e navegou pelo mar, como Moana poderia se aventurar? Ela não sabe velejar, não faz ideia do que há além dos recifes ou onde encontrar Maui, mas o coração da ilha precisa ser restaurado a qualquer custo. Será que ela é a escolhida do oceano?
Você já pode encomendar sua cópia de "Moana: A História do Filme Em Quadrinhos" clicando AQUI. O lançamento é em 20 de janeiro.
"Moana: Um Mar de Aventuras" estreia dia 5 de janeiro nos cinemas.
Se não for muito, muito, muito fã de Disney, você provavelmente nunca ouviu falar em Ron Clemens e John Musker – e talvez não tenha ouvido falar mesmo se for Disney freak. Mas com certeza você já assistiu a pelo menos um dos filmes assinados pela dupla: os diretores são responsáveis por nada menos que O Ratinho Detetive, A Pequena Sereia, Aladdin, Hércules, O Planeta do Tesouro e A Princesa e o Sapo. A próxima obra dos dois chega aos cinemas brasileiros no dia 5 de janeiro: é Moana, que, nos Estados Unidos, já bateu o recorde de Frozen como a maior estreia na véspera do feriado de Ação de Graças – lembrando que, até agora, a animação com Elsa e Anna é a mais bem sucedida da história da Disney em bilheteria total.
Música, meio ambiente e a força das personagens femininas: com Moana, a Disney acerta de novo
A “pré-estreia” brasileira, digamos assim, aconteceu na Comic Con Experience em São Paulo, com direito à presença de Clemens e Musker em pessoa: depois da exibição do filme, os dois, que pela primeira vez dirigem um longa em animação digital 3D, apresentaram um painel de mais de uma hora sobre o processo de produção – com detalhes nada menos que fascinantes para quem é fã de Disney ou sonha em trabalhar na área. Os diretores contaram que Moana começou a ganhar forma ainda em 2011, depois de uma viagem de três semanas às ilhas do Pacífico Sul, passando pelas Ilhas Fiji, Samoa, Taiti e Nova Zelândia – a ideia, segundo eles, era criar uma história que tivesse sim referências mais tradicionais à cultura do lugar (o que algumas pessoas têm criticado como “perpetuação de estereótipos”), mas que fizesse com que um morador da região que assistisse ao filme se sentisse representado, e não desrespeitado. “Falamos com a população, com pescadores, com navegantes, e aprendemos em primeira mão aspectos de seus costumes, seu passado como navegantes, sua estreita relação com o oceano, sua conexão com os ancestrais, a importância da família”, enumerou Musker, citando um exemplo: “As pessoas da ilha se preocupam muito com o meio ambiente, são mais sensíveis a estes temas porque enfrentam isso em seu dia a dia, por seu modo de vida. Para eles é crucial o respeito à natureza e em particular ao oceano.”
A trama é relativamente simples: Moana, filha do chefe da ilha de Moto Nui, recebe, ainda criança, um chamado do mar – ela é escolhida pelo oceano para levar à ilha de Te Fiti, uma divindade feminina, uma pedra que representa o coração da ilha (e da deusa, simultaneamente), e assim restaurar a vida e a natureza na região, que vinha aos poucos sendo dominada por uma “escuridão” que matava os peixes e ressecava as plantas (referência clara à poluição). Assim, aos 16 anos, Moana parte em busca de Maui, o semi-deus que roubou o coração de Te Fiti, para salvar seu povo e sua ilha. Sim, a fantasia aqui vai mais ainda mais longe que na maioria das produções da Disney: tem deusa-mãe que vira ilha, tem semi-deus, tem caranguejo gigante falante, tem demônio de fogo, tem anzol mágico, tem até coco vivo e do mal (é sério) – mas tudo isso faz muito sentido quando se pensa que quase nada foi criado do zero na cabeça dos roteiristas: tudo tem fundamento na mitologia dos povos da região. “Maui é um personagem real da mitologia das ilhas”, exemplificou Musker, “e quase tudo o que contamos dele faz parte de sua lenda: a magia de suas tatuagens, sua capacidade para adotar formas de diferentes animais. É um personagem ideal e muito rico para uma animação.”
Além de ambientalista, Moana tem sido definido pela crítica internacional como “feminista” – a começar pela própria protagonista, descrita pelos diretores como “uma heroína em um filme de aventura”: “Moana é uma jovem que realiza uma viagem para salvar seu povo, e que para isso tem que passar por cima de seus medos e superar obstáculos. Nunca pensamos em incluir uma história de amor, porque não achamos necessário.” Moana – que vai herdar a liderança de seu povo após a morte de seu pai – tem corpo e cabelos mais realistas para uma menina de 16 anos, e, em certo ponto do filme, se nega a ser chamada de “princesa”. Te Fiti, que move o início da trama, é uma deusa mulher; e quem revela a Moana a história de seus antepassados e seu provável destino é outra mulher, sua sábia avó. Mas, embora de fato dê relevância aos personagens femininos e representatividade às mulheres, o que tem inegável importância, Moanao faz aparentemente sem levantar bandeiras, de forma tão natural que parece tentar dar exemplo a outras produções – como se dissesse que o público quer mesmo boas histórias e bons personagens, seja lá qual for o gênero desses personagens. E Clemens e Musker já haviam demonstrado essa vocação com Tiana, a independente e determinada protagonista de A Princesa e o Sapo.
Outro aspecto impossível de ignorar: a música. Clemens e Musker contaram que se impressionaram com a musicalidade do povo retratado no filme: “Há música por todo lado lá, como aqui no Brasil”, contou Clemens. “Então percebemos que a música teria uma parte muito importante na história.” As principais canções do filme foram escritas por Lin-Manuel Miranda, responsável pelo fenômeno da Broadway Hamilton; e músicos locais se juntaram aos artistas contratados pela Disney, gravando inclusive faixas cantadas na língua taitiana. E, como uma boa fã de Disney (e das músicas dos filmes do estúdio), eu digo: o resultado é de arrepiar. As músicas de Moana, com seus corais e seus tambores, ganharam um ar épico, parecido com o da trilha sonora de O Rei Leão. Tulou Tagaloa, a música da introdução, é belíssima (mesmo para quem não entende palavra do que está sendo dito); enquanto a delicada An Innocent Warrior embala um dos momentos mais bonitos do filme. Where You Are é divertida, ficando um pouco atrás de You’re Welcome, a música mais empolgante (e irresistivelmente grudenta) do filme, cantada por Dwayne Johnson, o The Rock. We Know The Way é dessas de fazer lágrimas virem aos olhos (okay, confesso que chorei litros) – e How Far I’ll Go, interpretada pela estreante Auli’i Cravalho, a música tema, tem tudo para virar a nova Let It Go nas vozes e na imaginação das crianças (não se preocupe: ela é bem mais legal que Let It Go).
Se você ama Disney, vá ver Moana. Se você ama ouvir trilhas sonoras das músicas da Disney, vá ver Moana. Se você quer um filme com boas e fortes personagens femininas, vá ver Moana. Se você gosta de filmes com uma pegada mais consciente e mais ambientalista, vá ver Moana. Se você só quer mesmo um filme legal, divertido e emocionante ao mesmo tempo (prepare o lencinho se você é chorona como eu), vá ver Moana. Ah: e preste atenção nos easter eggs – os diretores disseram, durante a CCXP, que Olaf, de Frozen, e Max, o cachorro do príncipe Eric de A Pequena Sereia, aparecem no filme, além de outros dois personagens da Disney, que eles não revelaram quais são. Caso encontre, faça o favor de me contar: como só fui avisada depois de ver o filme, eu não tive a chance de procurar. Mas também, com os olhos cheios de lágrimas, ficaria mesmo meio difícil.
A EW divulgou uma série de fotos de Moana: Um Mar de Aventuras, a mais nova animação da Disney, que traz alguns bons easter eggs e participações especiais de outros personagens de animações anteriores da editora no longa.
No decorrer da trama, em uma cena em que inúmeros cocos perseguem a protagonista princesa Moana, podemos encontrar um deles vestido como Baymax, de Operação Big Hero. Consegue achar?
Em um dos mosaicos feitos pela princesa Moana, aparece o amoroso Detona Ralph, séculos antes de ele virar personagem de video game.
Linguado, famoso amigo da Ariel de A Pequena Sereia, aparece durante a montagem que vemos no número musical "You're Welcome", cantado por Maui (Dwayne Johnson).