sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Como começar a ler mangás e assistir animes

Hoje o Brasil é um intenso consumidor de mangás. Estima-se que as produções japonesas representam quase metade do mercado de quadrinhos, segundo dados da editora brasileira JBC, uma das mais importantes do setor.

Para os não-iniciados, no entanto, o universo dos desenhos em preto-e-branco e lidos de trás para frente ainda pode parecer hostil.

O Nexo reuniu alguns conceitos básicos para entender a cultura dos animes e mangás.

O que é mangá
Mangás são histórias em quadrinhos japonesas. O termo significa, em português, “desenho involuntário”.

Esse tipo de quadrinho tem características diferentes das publicações ocidentais. A principal delas é que eles devem ser lidos de trás para frente. Os quadros de falas também devem ser lidos da direita para a esquerda. Isso se deve a um sistema de escrita introduzido no Japão durante o século quatro, o Tategaki.

FOTO: REPRODUÇÃO/EDITORA JBC

 OS MANGÁS, NO BRASIL E NO JAPÃO, SÃO LIDOS DE TRÁS PARA FRENTE E DA ESQUERDA PARA A DIREITA.

Exceto a capa e páginas especiais - edições para colecionadores - o resto do mangá é desenhado em preto e branco.

Antes de ganharem suas séries próprias e se tornarem mangás, as histórias são publicadas em revistas-almanaque que reúnem dezenas de novos títulos, como a Shounen Jump.

Se bem recebidas pelo público, as histórias se tornam publicações próprias, em volumes de cerca de 200 páginas. Um volume costuma ter mais de um capítulo e a cada novo volume os capítulos continuam contando de onde pararam, de maneira que se um volume tem capítulos que vão de 1 a 10, o seguinte terá os capítulos que vão 11 a 20. Quem desenha um mangá é conhecido como mangaká.

O que é anime
Anime é como são conhecidos os desenhos animados de origem japonesa. Existem muitos tipos de animes, desde curtas e longa-metragens até séries televisionadas.

É muito comum que um anime seja a reprodução de um mangá, como é o caso em “Naruto”, “Cavaleiros do Zodíaco” e “Sakura Card Captors”, por exemplo. Episódios de animes serializados têm duração média de 20 minutos, incluindo os temas de abertura e encerramento.

Mas essa não é a regra.

Uma vez que um anime é um desenho animado de origem japonesa, um longa-metragem animado também será um anime. Um dos mais famosos, com 35 prêmios, incluindo um Oscar, é “A Viagem de Chihiro”, do famoso “Studio Ghibli” e dirigido por um dos mais famosos animadores japoneses, Hayao Miyazaki (75).

Para quem são feitos os mangás e animes
Tanto animes quanto mangás costumam ser categorizados por público alvo. Isso se deve ao modelo de divulgação. As revistas-almanaque que trazem os mangás estreantes para apreciação do público são divididas em faixa etária e gênero.

Os destinados ao público infantil apresentam histórias engraçadas e moralmente educativas, são repletas de personagens fofos, geralmente animais, como o famoso Hamtaro. Essas histórias são conhecidas como “Kodomo”.

Para adolescentes, a temática geralmente envolve a jornada do herói e relacionamentos. É comum que haja distinção de temas por gênero, de maneira que as histórias voltadas para o público masculino são conhecidas como “Shounen” e as do público feminino, como “Shoujo”. Elas têm uma forte marcação de padrões e estereótipos de gênero. Entre os shounen famosos mundialmente estão "Naruto" e "One Piece", enquanto, entre os shoujo, a lista de sucesso conta com “Sailor Moon” e “Sakura Card Captors”.

Para o público adulto, há uma série de novos temas abordados - e a apresentação também é mais sombria, e pode haver violência gráfica, insinuação sexual e nudez. Há histórias sobre relacionamentos (inclusive homoafetivos, no caso dos “Yaoi” e “Yuri”), e sexo (caso do “hentai”), que têm relações e linguagem sexual explícitas.

Ainda que as produções tenha públicos-alvo definidos, é muito comum que um estilo apresente características de outro de forma leve e indireta.

Por onde começar, segundo especialistas
O Nexo conversou com especialistas em mangás e animes para saber como alguém que teve pouco ou nenhum contato com essas produções poderia começar a ler mangás e assistir animes.

Cassius Medauar, gerente de conteúdo da editora JBC, indica como porta de entrada mangás do estilo “shounen”, que apresentem versões da jornada do herói. “Dragon Ball” e “Cavaleiros do Zodíaco”, por exemplo.

Para Miriam Castro, responsável por um canal no YouTube dedicado à cultura nerd, é importante saber “para que público um mangá é voltado, a pessoa já tem, assim, uma noção de qual tipo de conteúdo pode encontrar”.

“Eu gosto de dizer que o mangá de entrada é o que um amigo recomendou ou que trata de um tema que te interesse. O mangá é uma mídia muito vasta”, ela define. O ideal, para Castro, é começar por um que já tenha sido concluído, para evitar buracos na leitura. “Death Note”, por exemplo, é um deles.

Os chamados ‘live action’ também costumam ser uma porta de entrada do público ocidental para o universo de mangás. Eles são a reprodução de uma história no cinema, com atores. Se forem bem-feitos, é claro: muitos deles têm inconsistências no roteiro ou na direção.

O próximo grande sucesso dos mangás e animes que se tornará um filme com atores é “Ghost In The Shell”, que no Brasil foi nomeado como “Vigilante do Amanhã” e apresenta Scarlett Johansson no papel da protagonista Major. A estreia mundial está marcada para  31 de março de 2017.

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