terça-feira, 21 de março de 2017

A Bela e a Fera será finalmente lançado na Malásia. E sem cortes

Desde que o diretor Bill Condon revelou que A Bela e a Fera teria o primeiro personagem gay da Disney, o filme tem enfrentado controvérsias. Na semana passada, a censura oficial da Malásia demandou que um "momento gay" fosse cortado do filme e aprovou que a produção fosse lançada dentro dessas condições. Entretanto, a Disney se recusou a cumprir, retirou o live-action das cadeias de cinema do país pouco antes de seu lançamento, e fez um apelo ao Comitê de Recursos de Filmes da Malásia.

A situação foi analisada nesta terça-feira (21) e, felizmente, a censura da Malásia voltou atrás. A Bela e a Fera poderá ser exibido no país sem cortes, apesar de ter classificação para maiores de 13 anos, justamente por causa da cena homossexual altamente divulgada.

LeFou em A Bela e a Fera.

De acordo com a Variety, a censura malasiana (conhecida como LPF) tinha pedido que a Disney cortasse um total de quatro minutos e 38 segundos, em três sequências diferentes, de acordo com o Presidente da Câmara de Censura de Filmes Abdul Hamid. A maior parte do material que o órgão queria remover foi considerado muito sugestivo ou inapropriado, incluindo uma cena efêmera no final do filme que o diretor Bill Condon descreveu como um doce "momento gay" envolvendo LeFou (Josh Gad). A explicação para os cortes? Na Malásia muçulmana, sexo entre homens é punível por lei; e em filmes, personagens homossexuais só podem aparecer se estiverem arrependidos ou retratados negativamente.

Gaston e LeFou.

Em entrevista ao New Sunday Times (via The Hollywood Reporter) no último fim de semana, Abdul Hamid culpou Bill Condon por chamar a atenção para a cena gay e, essencialmente, por causar o problema: "Talvez, se Condon não tivesse mencionado o 'elemento gay', as pessoas não seriam tão curiosas e nós poderíamos deixá-lo passar com um corte potencialmente menor. E tudo isso talvez não fosse um problema. "Nós, da LPF, queremos preservar os filmes tanto como a intenção do diretor, mas no momento em que o 'elemento gay' é lançado na mistura, tivemos de nos proteger". E completou: "A Malásia não reconhece a ideologia LGBT. Portanto, temos que ser extremamente cautelosos em nosso trabalho. Temos nossas responsabilidades para com o país, o povo e nossa constituição."

O live-action ganhou até data de estreia na Malásia: dia 30 de março. Enquanto isso, no Kuwait, o filme foi retirado dos cinemas depois que a censura levantou preocupações sobre o conteúdo da produção. A Bela e a Fera estava sendo exibido no país desde a última quinta-feira (16), mas aqueles que compraram ingressos para segunda-feira receberam mensagens de texto da Companhia Nacional de Cinema do Kuwait avisando que as exibições tinham sido cancelados devido a "dificuldades imprevistas". O representante da empresa disse ao The Associated Press que uma versão editada do longa deve chegar aos cinemas ainda esta semana.

No Brasil, A Bela e a Fera já está em cartaz nos cinemas.

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