quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Universo “Star Wars” redesenhado pela Disney gira em torno de si mesmo

“Star Wars” estreou em 1977 e George Lucas lançou o 6º filme da série, que encerrava a saga de Anakin Skywalker, em 2005. Se a gente fingir que eles estivessem em produção constante (sem sofrerem aquele hiato de 16 anos entre o terceiro e o quarto capítulo), isso daria uma média de um filme da marca a cada 4,6 anos. O lançamento de “Rogue One”, nesta quinta-feira (15/12), sinaliza um novo ritmo: de 2016 em diante, teremos um “Guerra nas Estrelas” novinho todo ano.

O novo ciclo começou em 2015, com o sétimo capítulo da saga, “O Despertar da Força”. A Disney, convenhamos, zerou o cinema. Compraram a Pixar (2006), a Marvel (2009) e a LucasFilm, dona de Star Wars e Indiana Jones (2012). No quesito ganhar dinheiro, eles venceram. E num ano em que todos os outros estúdios estão perdendo receita com seus blockbusters, o ratinho Mickey está feliz da vida. Mas e a qualidade? Esses filmes serão bons?

Pouco risco, muito retorno
Qualquer estúdio que aposte US$ 200 milhões num filme está ciente do risco de tomar uma prejuízo. Se pensarmos no valor gasto para a compra dessa propriedade intelectual (US$ 7,4 bilhões pela Pixar, US$ 4 bilhões pela Marvel e US$ 4 bilhões pela LucasFilm), são mais de US$ 51 bilhões, antes da realização de qualquer filme. Falta muito lucro para fechar essa conta.
Por isso que cada passo até agora foi feito para minimizar o risco. Muito se criticou “O Despertar da Força” por seguir à risca a trama do original. Embora quisesse introduzir uma nova geração de personagens, incorporou todos os antigos ao roteiro. “Rogue One” é sobre uma missão que ocorre logo antes do episódio VI e conta com a participação de Darth Vader já no trailer. O próximo spin-off terá Han Solo como astro.

Tudo isso quer dizer que, em vez de se expandir, o universo Star Wars parece se dobrar em volta de si mesmo. Gareth Edwards, diretor de “Rogue One”, disse no início das filmagens que queria fazer um filme “de guerra”. Porém, as coisas não caminharam do jeito esperado e o estúdio chamou o roteirista veterano Tony Gilroy para dar um jeito no script e dirigir algumas refilmagens.

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