terça-feira, 11 de outubro de 2016

O que esperar da possível aquisição da Netflix pela Disney?

Desde a última segunda-feira (3), há rumores de que uma grande movimentação no mercado de tecnologia e entretenimento estaria prestes a acontecer. A Disney estaria planejando uma série de aquisições – incluindo a rede social Twitter –, mas o nome que mais chamou a atenção foi a Netflix, rede de filmes e séries on demand.

De acordo com a Fortune, os rumores alavancaram o valor de mercado da Netflix em 6%, somando US$ 2 bilhões no valor de mercado da empresa. A estratégia da Disney, uma das maiores empresas de mídia do mundo, poderia beneficiar os dois lados. "Esse é um alinhamento de estratégia da Disney para ganhar nicho de mercado e fortalecer a presença em canais fechados", afirma Francisco D'Orto Neto, especialista em fusões e aquisições da Crowe Horwath.

A oportunidade está com a Disney, mas a necessidade acompanha a Netflix. O serviço conta com cerca de 83 milhões de clientes em todo o mundo e tem um valor de mercado que gira em torno de US$ 45 milhões. No entanto, a empresa tem enfrentado dificuldades em relação às margens de lucro e informações imprecisas ao mercado.

No último trimestre, houve uma alta de 55% no lucro em relação ao mesmo período no ano anterior, porém as ações acumularam queda após a divulgação do relatório. Um dos motivos foi o baixo crescimento da base de clientes – ante uma expectativa de 2,5 milhões, a empresa registrou 1,7 milhões de novos assinantes, número bem inferior aos 3,3 milhões de novos membros no segundo trimestre de 2015.

No relatório de resultados, a própria empresa admitiu que estava crescendo, "mas não tão rapidamente quanto gostaríamos ou quanto no passado". Um dos motivos para o baixo crescimento foi o recente reajuste de preços dos planos. As receitas totalizaram US$ 2,11 bilhões no período, 28% na comparação anual. Já as receitas de transmissão aumentaram 33% para US$ 1,97 bilhão.

A operação resolveria outro problema sério da Netflix: o investimento pesado tanto em produções próprias quanto no licenciamento de conteúdo. Só em 2016, a empresa deve gastar US$ 6 bilhões com novos programas, documentários e filmes, investimento que complica o balanço contábil e seca as margens de lucro.

Para a Disney, o valor estratégico da Netflix residiria na ampla base de clientes. "A Disney viu uma oportunidade comprar um acervo e uma alta capacidade de colocação de filmes, porque o canal da Neflix é uma cadeia global muito forte. E isso fortalece os canais de distribuição da Disney. Apesar de ser um investimento alto, para ela faz sentido", explica D'Orto.

No entanto, essa é uma aposta arriscada a começar pelo valor. A Disney tem um valor aproximado de US$ 150 bilhões, portanto teria de investir cerca de um terço de sua capitalização na operação.

Outra questão a ser considerada é a ESPN, também pertecente ao conglomerado, e que representa boa parte das receitas da Disney. O serviço teve uma queda no número de assinantes e seu futuro é incerto: recentemente, o serviço entrou no modelo de streaming para aumentar a presença entre os espectadores mais jovens, porém não convenceu os investidores.

Esse seria outro indicativo de que a aquisição da Netflix, que domina o mercado de streaming online, é uma possibilidade clara para a Disney. "A Netflix conta com muitos ativos que o mercado precifica, há uma percepção de que a empresa tem uma grande capacidade de alavancar resultados, além da força da marca", ressalta D'Orto.

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